Sábado, Novembro 08, 2008

SR. CORAÇÃO E SRA. CORAÇÃ

Lei de Katz

"Um homem e uma mulher agirão racionalmente quando todas as outras possibilidades forem esgotadas."


Era uma vez dois corações apaixonados que, como tantos vários outros corações que conhecemos, se conheceram, enamoraram-se e se casaram. Do fruto deste enlace nasceram coraçõezinhos e assim formou-se a família Coração, a linda família Coração.

Esta estória poderia terminar agora com o conhecido "e todos viveram felizes para sempre" e esta seria então a mais bela estória de corações apaixonados já contada. Mas não foi assim que aconteceu. No início o Sr. e Sra. Coração trilhavam seu caminho carreganhando suas alegrias e seus sonhos no compasso tranquilo de seus passos rumo à Felicidade contudo, durante o caminho eles visitavam as Lojas de InConveniências 24 Horas e foram comprando coisas desnecessárias como incertezas, ressentimentos e mágoas, alimentos vitais para a tirana Discórdia. Como toda doença tem seu remédio, para a Discórdia existe o Perdão mas eles se esqueceram de levar consigo o Perdão junto das outras compras.

O tempo passou e as desnessidades tornaram-se pesadas demais para se carregar e se viram obrigados a livrar-se de um pouco de peso para prosseguir no caminho. As primeiras coisas deixadas para trás foram os sonhos e a alegria e assim passaram a carregar somente as incertezas, ressentimentos e mágoas e isto alimentou a Discórdia e a fez crescer. Pelo caminho o Sr. Coração queria o Sol, a Sra. Coraçã queria a Lua e desta forma as estrelas deixaram de brilhar no céu do Sr. e Sra. Coração. E então este locutor pergunta a você, caro leitor: Podem dois corações se distanciar por um querer o Sol e o outro a Lua?

A resposta é NÃO meus leitores. Basta seguir o exemplo deste romance astral entre o Sol e Lua. Um carrega o Dia, o outro carrega a Noite, e eles jamais se separam. Estão sempre lá, a cada manhã, a cada alvorada, a cada dia, cada qual realizando seu propósito. Lá vem o Sol trazendo o calor vital, lá vem a Lua trazendo os filhinhos estrelas para passear no céu e assim ambos realizam seu romance cósmico que transcende o Tempo e a Imaginação.

E nossa estória fica por aqui, com o Sr. Coração e a Sra. Coraça olhando em direções diferentes e distantes um do outro pelo caminho. O final da estória ainda será contado pelos nossos protagonistas e cabe a nós expectadores apenas esperar que eles resolvam se livrar das desnecessidades adquiridas nas Lojas de InConveniências 24 Horas e decidam voltar um pouco pelo caminho para descobrir onde deixaram as alegrias e sonhos, os peguem de volta e passem a carregar consigo apenas o que realmente é importante na jornada.

E como todos tem direito a ouvir estorinhas, já ouvimos a nossa, vamos contar uma a eles.

"Havia uma família de porcos-espinho na mata. Eles viviam alegres a brincar, cantarolar e aproveitar os agradáveis dias de Primavera. Mas então veio o Inverno e os porcos-espinho começaram a sentir frio. Decidiram então que para vencer aquela situação todos ficariam bem juntinhos, amontoados mesmo, e o calor de cada um serviria para aquecer o grupo. Assim fizeram mas eis que os espinhos de cada porco-espinho machucava o companheiro ao lado. Mesmo assim ficaram juntinhos para vencer o frio do Inverno."

Moral da estória: Muitas vezes para superar os obstáculos de determinadas situações e vencer os desafios é necessário permancermos juntos para nos mantermos vivos, ainda que tenhamos que suportar os espinhos dos companheiros a nos ferir.

E para fechar, ficamos com a trilha sonora do antigo BAMBALALÃO da TV Cultura:

Entrou por uma porta e saiu pela outra,
e quem quiser que conte outra.

A VOZ, AS CORES, EU E... VOCÊ

Existe um lugar secreto dentro de minha mente. Um lugar que você poderia conhecer se soubesse como utilizar a chave que abre os portões desta floresta de neurônios inexplorados. Mas ainda há tempo e não tenha medo desta aventura pois o caminho não é árduo nem tão pouco inacessível. Tens disposição? Então jovem viajante, seja benvindo a esta jornada ao centro de uma mente.

Quando eu era jovem eu vi um clarão e quando a luz dissipou-se percebi que era a explosão de uma estrela que se partiu em mil borboletas voando desordenadamente ao meu redor. Algumas me tocavam, outras atravessavam meu corpo causando-me uma certa náusea. Repentinamente a náusea somou-se à confusão quando notei que as asas de cada borboleta eram como espelhos que refletiam meus universos de possibilidades. Cada espelho trazia uma imagem de cacos do passado, estilhaços do presente e pedaços do futuro e então entendi que não havia mais tempo ou espaço, somente uma fusão tácita de caos e ordem. Só neste momento notei que estava nu e flutuava em todas as direções me fundindo às borboletas e ao éter e recobrava os sentidos.

Em algum momento a Voz, aquela voz que a muito me acompanhara, disse: "Agora tudo é um" e assim eu não estava mais entre as borboletas, nem estava mais só. Não entendi quando a Voz se misturou ao celeuma das paredes e eu não podia mais confiar na audição, estas paredes que agora existiam a minha volta se moviam e também não podia confiar na visão. Tendo misturado-me ao éter, tato eu também não possuia e pela primeira vez meu paladar mostrou-me o sabor do medo.

"Não tenha medo... Não tenha medo..."

Após este brado as paredes ruiram e fui circundado por indescritíveis cores sem forma. Cores que queimavam, que retalhavam, sufocavam mas não machuvavam-me. Éramos um. Éramos Terra, Fogo, Ar e Água. Éramos passado, futuro e presente, éramos simultâneamente a existência e o nada. Filho do Ar me espalhei entre as Cores, filho da Terra tornei-me pó entre elas, filho do Fogo mesclei-me a elas e filho da Água junto a elas nasci da realidade para o sonho. A Voz, as Cores e eu, uma fagulha de Razão e éramos agora um arco-íris a riscar o nada que afinal nada mais era que nós mesmos, espalhando cores e sons neste universo em nascimento. Éramos vida.

Aos poucos nós, a Voz, as Cores e eu, fomos nos dissipando até transformarmo-nos em apenas uma lembrança no labirinto secreto das memórias deste que escreve-te e indaga-te: Tens coragem, ó jovem viajante?

Se tens coragem deixa de lado as preocupações, esperanças, sofrimentos, os cuidados. Livra-te dos sentimentos comuns, vem e ponha-te a desbravar esta terra como um célere peregrino a procura de sonhos. E não te esqueça, somos perenes.

Nada pode mudar a forma como as coisas se apresentam, aceite a vida como ela vier, afinal...

"ALL YOU NEED IS LOVE,
ALL YOU NEED IS SOMEBODY TO LOVE."

LET'S LOVE !!!


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Esse Gordo só pode estar louco... hihihihihihi... "joga essa lata de cola fora, meu filho".

Terça-feira, Novembro 04, 2008

ÓDIO DESTILADO

Quantos tombos alguém precisa tomar para dizer que está calejado? Quantos obstáculos alguém precisa transpor para dizer-se um vencedor? Quanto de suor e lágrima é necessário para dizer com segurança: Eu já sou um Homem? Quanto de virtude precisa uma pessoa para purgar seu ódio? Quanto de perdão é necessário para tornar puro um coração? Quanta cerveja é necessária para esquecer o dia de hoje?

Por vezes sinto que não tomei tombos suficientes, que não transpus os obstáculos necessários, que todo o suor e lágrima derramados foram em vão. O que conforta é saber que estas questões são escola e conhecimento ninguém pode tomar-lhe porém uma destas questões me entristece. Não consigo me livrar deste sentimento de ódio que me toma, me derruba em alguns momentos e que me faz tão mal. Sinto o coração como um alambique, destilando gota a gota a ira, a cólera, a raiva. Sinto este ódio destilado inoculando meu sangue e envenenando meus pensamentos. Justamente nessas horas é que, ajoelhado mas pronto pra me reerguer, sinto o suor vertendo pelos poros e alagando o asfalto e é nesse suor espalhado pelo piche, pedra e pó que vejo o reflexo de meu rosto a dizer: "Ainda não foi desta vez...".

Já dizia Raul: "Vai, e grita ao mundo que você está certo...". Tudo bem... já que é assim então vamos gritar:

"TOMAI-VOS VÓS EM VOSSOS CUS!!!"

Vós que sois impregnados pela falta de moral e pela mesquinharia nefasta que consome vossas virtudes, tomai-vos vós em vossos cus. Vós que sois aleijados de espírito e utilizai de vossos rubros sinetes como muletas para manter de pé vossos egos, tomai-vos vós em vossos cus. Tomai-vos todos vós em vossos cus todos vós que devotai vossas vidas à ganância, ao dinheiro e ao putro poder que aniquila o humanismo e alimenta a desigualdade.

Tomai-vos vós em vossos cus os Midas contemporâneos que transformai em ouro o escárnio, a idolatria e o consumismo. Vós, falsos doutos que escondei vossa ignorância sob o manto da verborragia tomai-vos também em vossos cus. Vós, parasitas, que acobertai-vos sob a socapa da benemerência e proliferai a hipocrisia tomai-vos vós em vossos cus. Vós, a matula que espalhai mazelas deletéreas e maroscas desmedidas e descabidas por entre os seus, tomai-vos em vossos cus.

SIM, TOMAI-VOS TODOS VÓS EM VOSSOS CUS.

E sabei-vos, hoje eu caio, respiro fundo e me levanto novamente. Se mais forte, se mais provido, eu não saberia dizer. De certo mesmo apenas a certeza de que "ainda não foi desta vez". Portanto, tentai-vos novamente. E, óbvio, enquanto tentai...

...TOMAI-VOS TODOS VÓS EM VOSSOS CUS.


Gordo,
o indignado.

Quinta-feira, Outubro 16, 2008

AMIGOS VEM... AMIGOS VÃO...

E vejam como são as coisas... e não é que ontem eu senti saudade de você!

Como assim de você quem? De você oras. Tem mais alguém na frente desse monitor?


Então, saca só, voltava eu pra casa no final do dia e bem em frente a uma banca de jornal havia um casal,
já em idade avançada, terceira idade, mais que sessenta anos com certeza. Eles estavam de mãos dadas e de repente trocaram um beijo. Um beijo tão bonito. Respeitoso, terno, cheio de tudo aquilo que a gente sabe que é bom e nem precisou chegar na idade deles para descobrir. E foi aí que lembrei-me de ti.

Recordei das vezes em que falamos sobre cuidar um do outro na velhice. Ah, quantos planos... E a gente tinha cada idéia maluca né, só a gente mesmo... Foi de pensar nessas coisas que vieram-me outras à mente.

Nossos risos, cochichos, segredinhos, surpresinhas. Lembra daquele teu aniversário que eu escondi teu presente? Eu espalhei um monte de bilhetinhos, cada um te mandava pra um lugar da casa e cada lugar que você ia tinha outro bilhetinho te indicando procurar em outro lugar. Tu rodaste a casa toda e não sabias se te punhas a rir, ou procurar e a única coisa certa era alegria em teus olhos, a alegria de uma criança a brincar de pique-esconde. Eu vi teus olhinhos inundados, as lágrimas da mais verdadeira alegria capazes de inundar um lar, inundar um coração de amor. E onde estão agora meus olhinhos de caleidoscópio?

Lembrei também da gente aprendendo a gostar de músicas diferentes. Você aprendendo a gostar das minhas, eu aprendendo a gostar das suas. Mas olha só, aquele CD do Celso Portioli não deu. Esse foi mal mesmo, mas sem chance. Da minha parte até que foi legal deixar de ser um pouco "xiita" em relação a música. Bob Marley que
o diga. Acho que já tem uns sete anos que mantenho o mesmo hábito: o sábado começa com Bob Marley. Get up, stand up... "eita nóis, põe no talo aí"...

Tanta coisa a gente aprendeu um com o outro né. Cada dificuldade, cada obstáculo, cada dia, cada madrugada, uma briguinha aqui e outra acolá, tudo foi escola para não esquecermos mais. Agora cá entre a gente, nunca aprendemos a lidar com o orgulho, a erva-daninha do nosso jardim. Até que melhorei bastante neste último ano, de um tempo para cá eu determinei que mudaria muita coisa. 'Tá rindo do que? 'Tá bom, 'tá bom, eu sei, eu vivo mudando né. Isso talvez nunca mude, amo a rotina mas não me peça para gostar de monotonia. Disto tudo o importante é que desta vez eu tenho a certeza que estou a fazer as coisas da forma mais certa possível. Tenho corrigido muitos erros ultimamente e pode acreditar, não tem sido nada fácil. Mas como diz a antiga "galerinha do mal": o bagulho é doido e o processo é lento, não pode parar.

É minha amiga, mais uma vez um amigo que se vai, mais um amigo que fica mais distante, acho que é por isso
que me bateu essa saudade. Saudade antecipada. Não sei como serão teus dias de agora em diante, tampouco consigo imaginar a falta que me farás. Apenas não te esqueças jamais, indiferente de onde estejas, com quem estiveres ou ainda o que estejas fazendo, aqui tem um doidinho que mantém por ti o mesmo respeito, admiração e afeto. Penso que nem preciso dizer que qualquer coisa que precisar... bom já sabe né...

Espero que encontre tua paz, estarei aqui fazendo bastante daimoku para ti e acredite, já está determinado:
tudo dará certo.

E para finalizar, é mister agradecer-te por tudo, tudo mesmo. O riso e a lágrima, a fome e o pão, o tapa e o perdão, tua presença e esta saudade que deixa agora. Faltariam palavras para expressar isso de forma adequada mas se um dia, à sombra de uma árvore, eu me sentei, pensei e cheguei à conclusão de que o amor é a forma mais sincera de dizer obrigado então estas são as palavras que devo eu dizer-te agora:

"MUITO OBRIGADO, MINHA AMIGA.
MUITÍSSIMO OBRIGADO."